sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Registos de Fim do Ano

Ano fraquinho este, que hoje termina. Não ficou nada de marcante nem de memorável, nem me parece que dos filmes que saíram até ao momento, pelo menos em Portugal, se retire algum clássico para a posteridade. Lembrando de alguns nomes mais sonantes que passaram pelas salas, parece que o Inception terá sido "o" filme do ano. A nível da personagem, Leonardo Dicaprio não se afastou muito do protagonista de Shutter Island e talvez tenha perdido com isso. Mas quanto a efeitos, ideia original, carisma dos actores secundários e mesmo na realização, o filme tem os seus trunfos e fica-me na memória para 2010.



De trabalhos bem mais esquecidos, passava ontem pelas noites da RTP uma obra muito particular de Keira Knightley, a querer mostrar que consegue ser muito mais que a menina bonita dos Piratas ou a protagonista de dramas de época. Falta-lhe alguma garra, digamos, algum carisma, no seu Domino. Esforça-se e nota-se-lhe o esforço, mas não consegue sair do registo da "girl next door", demasiado querida, demasiado fofinha, demasiado a querer agradar para que a personagem se torne convincente. E o filme, cuja ideia até era interessante e a concepção está carismática, perde com a falta de peso da personagem feminina. Na maioria das vezes parece que estamos a ver a Elisabete Bennett aos gritos ou a tentar mostrar que está zangada. É sensual sim e o lado de Beverly Hills 90210 é conseguido, mas não o outro, o que se queria verdadeiro, da caçadora de prémios. Falta-lhe intensidade, verdadeiro gozo pela profissão que escolheu. Há demasiado esforço em querer parecer sensual. Ela já o é. Tudo o resto soa a falso e ele parece mais frágil do que propriamente a mulher forte e capaz de tudo que se pretendia.
Mas enfim, talvez fosse mesmo essa a ideia. O filme não está mau e tem alguns momentos particulares, sendo que as restantes personagens estão bem conseguidas. A realização é um pouco psicótica, talvez demais, e falha-se pelo exagero. Mas valoriza um argumento algo pobre e sem grande entusiasmo, que cai nos clichés tradicionais.


Para o registo do fim de ano, fica uma fotografia interessante e uma película que procura ser original, ainda que se fique pela rama. Vale pela Keira, apesar de tudo, que mesmo assim consegue prometer. Julgo que a menina está mais para papéis dramáticos do que de porrada e a vontade de fazer algo diferente é boa, mas para já ser sexy não chega e é preciso , talvez, ter carisma para ir mais longe.

sábado, 18 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma daquelas poesias

Existem filmes que descrevemos como poesias. Não tanto pela história, muitas vezes já tão batida que descobrimos a cinco minutos do incío o desenlance, mas pela forma como são contadas. Qualquer coisa como pergar num livro de Eça de Queirós e deliciarmo-nos durantes horas a fio com as suas narrativas. Já todos sabemos que o Carlos e a Eduarda são irmãos, ou que o Padre Amaro não é nenhum santo ou que a sociedade portuguesa não mudou assim tanto desde os tempos de el-rei D.Carlos. O que nos motiva a continuar, a ler e reler aquelas obras, está na forma como são escritas, no prazer que nos oferecem aquelas imagens, metáforas e conjugações, o dom da palavra, enfim, que poucos dominam mas que faz toda a diferença.
Por isso existem filmes que apesar de serem muito iguais a tantos outros nos encantam pelo modo como estão construídos, a realização, a fotografia ou mesmo o carisma dos actores. Nos últimos tempos, de cada vez que me perco por uma sala de cinema, venho profundamente desanimada com a oferta que encontro. Domina-me uma sensação de dejá vu que mesmo a esperança em ser surpreendida não consegue contrair. Os rotos são sempre os mesmos, os enredos fastidiosos e todo o cenário muito comercial. Vamos ao cinema por ir, para ter um programa para a noite, e não por existir qualquer coisa de extraordinário que nos fascine.
No outro dia fui ver o Americano. A escolha pendeu entre este e o A Tempo e Horas, qualquer um sem muita novidade. Mas lá decidimos ir passear um pouco pelas paisagens italianas e procurar descobrir se o George Clonney ainda tem mais que oferecer para além de um Nexpresso.
O George...já tem uns anitos. O senhor que me perdoe, mas o glamour está-se a perder com o tempo e talvez seja altura de procurar papéis menos à James Bond. Mas talvez aquele aspecto de cansaço se devesse à própria personagem. Não creio, em todo o caso.
O Americano segue o caminho de muitos filmes do género e no final da primeira parte já só me apetecia recostar-me a dormir uma sesta. Ainda bem que não o fiz. É um trabalho que ganha valor pela abordagem da realização e pela fotografia, pelo modo como a narrativa é contada, com algumas tiradas espirituosas que apenas os amantes de cinema podem compreender. Por isso, ao fim de vários meses, saí da sala com a sensação efectiva de que valeu o tempo, o dinheiro e a deslocação. Pois está um trabalho feito com gosto, com esforço e dedicação, um encanto para os olhos e ouvidos, pois até a banda-sonora merece um pequeno aplauso.
Que ninguém espere ir impressionar-se. Mas quem seja amante de cinema que se recoste e aprecie. O filme vale a pena.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Um ano e alguns meses depois...




Há uns anos valentes, ainda não sonhava eu com esta vida, encontrei-me com o Dr. Sérgio Ribeiro, dirigente da CDU de Ourém, na antiga e extinta livraria “Som da Tinta”. Teria os meus 14 anos, estava numa daquelas fases da vida em que se tomam algumas decisões definitivas, e gostava de escrever. Já não me recordo bem do teor da conversa nem o que fazia ali em concreto, mas nunca me esqueci de uma ideia que fez o centro da nossa meia hora de café: se queres escrever bem, começa por escrever sobre ti própria.
Não sei se o Dr. Sérgio Ribeiro se recorda da tímida visita ou do efeito que ela teve em decisões futuras, mas nove anos depois estava de partida para Macau e, meses mais tarde, em O MIRANTE. Um ano passado sobre toda uma série de vivências, a escrita até pode nem ser excelente, mas vão-se guardando algumas histórias.
Primeiro foi o impacto da mudança. Ourém era a mesma que eu conhecia da infância e da adolescência, mas tinha novos rostos, novas causas e uma linguagem diferente daquela a que me habituara a conhecer. Acabada de chegar da terra onde tudo fervilha, onde parece que a Europa vai envelhecendo à sombra de causas perdidas, voltava à pacatez das mudanças que podem até nem ser grandiosas, mas são marcantes. No fundo, tudo era novidade e se mais tarde não me recordar da maioria das peças que escrevi ou das questões com que lidei ao longo de um ano de estágio, poderei sempre começar por contar que também eu regressei a Ourém num momento de viragem. A todos os níveis.
Depois, foram as pessoas. Os chineses pareciam-me desconfiados, não se entregam, escondem com vergonha o que lhes pode roubar a face. Sorriem quando deviam explodir e ficamos sempre com aquela sensação indesejável de que, em Portugal, já estaríamos à porta. No percorrer das aldeias, tantas vezes meio perdida nos pinhais e em estradas escondidas, era o gosto de estar sobretudo em casa. Até me podiam colocar à porta, mas ao menos sabia os nomes que me estavam a chamar durante o percurso.

Por fim foi o trabalho, com uma rotina diferente da que me ensinaram em Macau. Há questões que nunca mudam e os protagonistas são, em geral, os mesmos. O presidente, os que o rodeiam, a associação, a igreja, as organizações, a população, os jornalistas…e aquela figura mais ou menos carismática que há sempre em cada terra. Só mudou no fundo a língua e a forma como se exprimem as fontes.
E porque não lembrar também o distrito, tão afastado das gentes de Ourém, que se habituou a ver em Leiria a sua segunda casa! Nova descoberta, esta muitas vezes com surpresa. Que sirva de convite para conhecer o que existe mais a Sul, que por vezes parece inóspito mas que tem grandes encantos. De terra em terra, com ou sem indicações, com ou sem vidros partidos e desastres automóveis a registar, foram-se conhecendo lugares que podiam entrar em muitos filmes americanos. E andei eu do outro lado do mundo…
Assim poderia contar daquele dia em que no meio de uma manifestação, no meio da rua, me impedem de tirar fotografias; ou de momentos caricatos na serra de Alburitel, Ourém, em plena tempestade, onde se tentou concluir a custo uma visita camarária; de horas perdidas em conversas com pessoas extraordinárias e que fazem valer a pena todas as linhas gastas a contar as suas vidas. Mas fico-me pelas impressões do ano de estágio, que provavelmente vão mudar no futuro, mas que orientaram todos os meses de trabalho que vivi até hoje.





in O MIRANTE

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Angry Young Men

"I suppose people of our generation aren't able to die for good causes any longer. We had all that done for us, in the thirties and the forties, when we were still kids. There aren't any good, brave causes left".

John Osborne

in Look Back in Anger

Fazia (não sei se se mantém) parte do programa de Inglês do 12º ano. Uma peça dos anos 50 que dissertava sobre uma geração meio perdida, meio desiludida, meio desorientada para com o mundo que, de repente, lhes era apresentado. Haviam sido crianças em tempos de guerra, tinham crescido ao som da luta e da morte pela pátria e agora, jovens capazes de lutar, viam um mundo que já não lhes pedia que perdessem a vida por uma causa maior, os velhos impérios caiam e os valores que os seus pais haviam defendido estavam no meio de uma cansada mudança. Entre o baby boom e o movimento hippie, entre o admirável mundo novo e o "Paz e Amor", houve um tempo em que já não haviam grandes causas pelas quais lutar. Rebeldes sem uma causa, essa geração andou meio perdida até encontrar os seus valores e o seu lugar na sociedade, ou pelo menos até o momento em que novas lutam precisaram de ser travadas e de novo nasceu a vontade de agir.
Li o livro de um assentada numa tarde de domingo. Aqueles jovens irados não diferiam muito de uma geração à qual em parte me identificava. Ainda há grandes causas pelas quais morrer? Sim, claro! Mas estamos tão cansados das lutas dos nossos pais e avós, vivendo numa sociedade que já em si nos coloca tantos obstáculos, que crescemos conformados com o que obtemos. Digamos...estamos demasiado preocupados com as nossas pequenas batalhas individuais para pensarmos em sofrer pelo colectivo. Somos mais egoistas? Talvez. Andamos zangados, irados por isso? Não. Andamos frustrados. Queremos tanto, batalhamos tanto e nunca nos satisfazemos. 50 anos passaram e continuamos desorientados.

Há uns dias apanhei na RTP2 uma noite dedicada a James Dean e vi o seu Rebel Without a Cause (Fúria de Viver). A personagem enquadra-se nesse perfil de angry young man que John Osborne esboçou. Insatisfeito, desorientado, com vontade de agir, lutar, sem ter uma causa definida. Pediam-lhe apenas que vivesse.

Mas que vontade de viver aquela! "Live free, die young". Porque não temos hoje essa mesma fúria? Faz-nos falta alguma dessa inspiração. Na literatura, na música, na arte, na realidade que todos os dias escrevemos. É que continuamos desorientados, mas a chama e a paixão que davam encanto ao perfil esfumou-se.

Uns parágrafos então apenas para deixar a sugestão do livro e do filme. E finalmente descobri onde se tinha inspirado o videoclip da Paula Abdul onde o Keannu Reeves faz uma participação.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Morreu Solomon Burke


Era só uma das melhores músicas do filme...

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Dirty Dancing

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A melhor cena de um Filme - No fim das monarquias


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Maria Antonieta

Porque se comemora o Centenário da República, lembremos quando começou a nascer entre os povos a ideia da liberdade e igualdade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No fim de uma viagem

Viajar sozinho tem os seus prós e contras!
Existe, por um lado, uma liberdade imensa em conhecermos e entendermos o que nos rodeia da forma que mais no agrada. Corremos ruas, espaços e lugares com descontracção, sem medos, atentos apenas ao que vamos encontrar, as pequenas particularidades daquele mundo novo que nos é apresentado. Sem distracções de outrem, sem apegos, sem paixões, aprendemos a pensar por nós próprios, a interpretar com tranquilidade, a socializar com pessoas que de outra forma nem comprimentaríamos.
Tem a sua beleza, a sua dose de encanto. Os lugares adquirem pormenores, texturas, fazem brotar ideias, comportamentos, pessoas. Mas passam. Tão depressa os conhecemos como deixamos de fazer parte deles. Como quando se lê um livro e esbarramos com uma profunda descrição de um lugar. Ficamos a conhecê-lo, vivêmo-lo e por vezes até o sentimos, mas queremos mesmo é saber o que se vai passar com o protagonista no seu encontro com os outros.
Nada se recorda de verdade se não existirem pessoas. Tudo o resto podemos até senti-lo, maravilhar-nos com a sua existência, mas se não houver ninguém para partilhá-lo, perde-se o valor. Ganhamos meia dúzia de memórias que podemos garantir como nossas, mas que mais ninguém entende ou consegue compreender o significado. O mundo possui coisas lindíssimas, mas é preciso saber vivê-las e não apenas dispor delas.
A protagonista de Comer Orar Amar inicia a sua viagem afirmando que precisa de tempo para consigo própria, redescobrir-se, reaprender a sentir o gosto na vida e, por fim, encontrar o seu equilíbrio. Mas ao longo da sua viagem nunca está verdadeiramente sozinha. O seu ano de aprendizagem é pejado de figuras que a ajudam, de facto, a encontrar-se. E ela dá-se ao outros e apreende esse equilíbrio através das experiências por que passa com eles.
Isto para dizer que "saia da sua zona de conforto" e enfrente o mundo sozinha é muito giro, muito romântico, mas na prática a Júlia Roberts tem mais relações em 2 horas e meia de filme que algumas pessoas em toda a sua vida.
Ofereci o livro à minha irmã há alguns meses e este tem ficado esquecido numa prateleira sem que lhe mostrem o devido interesse. Não tanto por alguém por estes lados precisar de uma dose de auto-ajuda, mas porque ver de novo a Júlia Roberts no grande ecrã tinha a sua dose de interesse. Confesso que foi mais esse privilégio que o filme em si que me levou a perder o meu tempo no cinema. Esperava uma filosofia barata, uma redescoberta interior fastidiosa e já por demais batida e um final feliz à Hollywood.
O final feliz ao pôr-do-sol está garantido, o português do Javier Bardem é péssimo (fora umas frases muito curtas que vê-se terem sido amplamente treinadas, quando o homem se mete com discursos mais longos é o desastre. Era assim tão difícil arranjar um actor efectivamente brasileiro?) e a Júlia encarna de tal forma o desespero da sua personagem que não me admiraria se a academia se lembrasse dela lá mais para Fevereiro.
O argumento está bem conseguido e a realização tem alguns trunfos, ainda que julgue que a fotografia não teve a sua dose de inspiração. Os cenários são lindos, os actores secundários carismáticos e uma mensagem bem transmitida nas sequências, nas cores, nos diálogos. Mas viajar por cidades europeias e locais exóticos tem sempre o seu atractivo e não há câmara que lhes resista.
Posso atacar sem piedade o âmago da história. Fazer este tipo de experiência é também e sobretudo uma questão de oportunidade. Não vi a protagonista meter a mala às costas e dormir ao relento. Tudo esteve planeado e dinheiro era coisa que não lhe faltava. O retiro espiritual era numa espécie de hotel que a única originalidade passava por estar localizado na Índia. Presumo que seja mais fácil atingir aí o Nirvana, mas há locais desses bem mais próximos dos EUA e que obrigariam a viver o mesmo tipo de encontro interior. Mas enfim, no fundo é preciso uma certa disposição para aceitar determinados desafios e se é preciso viajar até ao outro lado do mundo, boa viagem!
Desconfio que muitas mulheres por esse mundo vão, em breve, fazer uma viagem destas, ainda que desconfie que o objectivo final passará muito por encontrar um Bardem pelo caminho. Mas para quem não tem dinheiro, nem oportunidade, nem tão pouco vontade de fazer uma viagem do género, o filme em si é um livro de auto-ajuda, com ensinamentos a que nós próprios podemos chegar sem ser preciso ir tão longe.
Não me batam, eu adorei a película, apenas entendo que podia ir mais longe. Mas talvez para entendê-la no seu todo seja precisa uma dose de maturidade que muitas das pessoas que estavam ontem no cinema não possuíam. E cada um pode interpretar o que viu, o que ouviu e o que sentiu de maneiras tão diversas quantas são as experiências de cada um.
De maneira que ir ao cinema ver Comer Orar Amar é também, em si, uma viagem que, como todas as viagens, aconselho a que se leve companhia. Não tanto pelos pormenores que se vão captando durante o filme, pois essa é uma descoberta pessoal, mas pela moral que se retira do que se viveu ao fim de três horas.
Conversem com a pessoa do lado. Vai ser interessante perceber que pouco do que terão visto significou o mesmo para os dois. E o filme vale por isso...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os que falam


Há pessoas que gostam de falar. Outras nem tanto. Há os que respondem mal e sem educação. Há os que dizem o que queremos ouvir e outros que desabafam com tamanha inocência que nos sentimos de parte com o diabo por aceitarmos tais confidências. Mas toda a gente tem qualquer coisa a dizer. De mal, de bem, sem nexo ou a maior estupidez possível. Às vezes seria preferível ficar calado. Mas enfim, muitas vezes temos mesmo que falar.

Há uns dias numa ocasião pública encontrei um desses seres que gostam de falar e opinar sobre tudo, mesmo que não tenham razão nenhuma. A pinguita da meia-noite também não deve ter ajudado. Uns riram-se, outros abanaram a cabeça, alguns saíram. Cada um gere à sua maneira as necessidades de expressão do vizinho. Nem sempre traz bons resultados, mas há quem não saiba estar calado.

Lembrei-me dessa figura singular que é o Alvy Singer e desse filme de culto que é a "Annie Hall". Não gostei lá muito da película, ainda que lhe reconheça o seu mérito e as características inconfundíveis do protagonista. Que não sabia estar calado, sem dúvida, um grande inconformado com tudo o que o rodeava e os mistérios insondáveis das relações amorosas, tão confusas quanto ele próprio. Mas demos-lhe o mérito, pelo menos exprimia-se, nada ficava por dizer. De forma desajeitada, muitas vezes sem qualquer nexo, mas com o seu encanto e a necessidade quase gritante de que reparassem nele e na sua busca incansável por respostas.

Daí que quando falamos e contamos a verdade à nossa maneira, talvez queiramos ser um pouco desse Alvy Singer na sua demanda pelos ovos. No fundo, só queremos que nos entendam. E já agora, que reparem que existimos. Ainda que seja parvoíce, ainda que nos arrependamos do que dizemos.

É capaz de ser boa noite para encontrar de novo a cara Annie Hall e dar uma volta por Manhattan ...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Na Praia Grande



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E vão três

Há que manter o espírito, a vida continua. A menina ali de cima é já uma mulher, ainda que sonhe e acredite nas histórias dos poetas. Faz-lhe falta retomar as leituras, colocar a escrita em dia e tornar a criar ideias dentro do que sempre ambicionou fazer. Sozinha não consegue, mas amigas, graças a Deus, é coisa que não lhe falta.
O blogue vai ganhar uma terceira voz. De uma área diferente das outras duas, com as suas crenças e os seus valores, que vai procurar ir mantendo vivo o objectivo deste espaço, que já deu muitas voltas, foi ao outro lado do mundo, mas que quer continuar a existir.
Niké começa em breve. Seja bem vinda!!

Depois da meia-noite

A vida não anda fácil e para quem vai gostando de escrever umas coisitas menos sérias torna-se complicado manter um blogue. Como dizia há uns tempos uma personagem carismática das blogosfera cinematográfica, ter um blogue é mais ou menos como ter um filho. Pelo que com altos e baixos, esta página vai sobrevivendo a umas quantas convulsões, até porque tenho a minha dose de teimosia e gosto de levar as coisas adiante. Mais um período sem actualização, mais uma renovada no visual.

As idas ao cinema têm sido muito poucas e o videoclube cá da terra já começa a estranhar a prolongada ausência de duas das suas consumidoras. Tenhamos paciência, isto o tempo não dá para tudo e a oferta é tanta que chegar e escolher apenas um torna-se difícil. E nem tudo vale a pena! Nota-se cada vez mais essa badalada falta de ideias e novos conceitos que vai invadindo as terras do Tio Sam. Remake atrás de remake, sequela atrás de sequela, 10/20 anos depois do filme original, obras divididas em duas…para ir puxado o filão. Cansa, perde-se o entusiasmo. Teve piada no início, agora está a tornar-se cada vez mais do mesmo.

Não, não fui ver o filme do momento, “Wall Street”, nem penso que vá gastar uns euritos com a obra. Há uns dias apanhei a sessão da meia-noite e na falta de oferta variada fomos ver o “Salt”. Não sabia bem do que se tratava, não tinha visto o trailer e como o momento valeu pela companhia qualquer filme servia. Tinha a película começado há 5 minutos e já eu comentava para a pessoa do lado que na falta do inimigo russo, lá se tinham virado os americanos para os coreanos.

Erro crasso!! Eram mesmo os russos, o bode expiatório do costume, com uma teoria da conspiração das antigas. É tempo de pensar se a indústria não precisa da sua dose de terapia, o muro caiu há 20 anos, estava na altura de ultrapassar o trauma. Mas enfim, a Angelina dá a sua dose de interesse ao filme.

Lembrei-me na ocasião que originalmente o papel de Salt era para ser desempenhado por um homem, julgo até que pelo Tom Cruise ou algum actor do género. A versão feminina dá sempre outro encanto à história e mesmo alguma coerência.

Na tentativa de revitalizar um bocado este espaço, deixa-se a sugestão. Não tanto pelos encantos da película, com um enredo ultrapassado à James Bond, mas para quem gosta de ir ao cinema depois da meia noite.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

No fim do Verão

Ando a tentar colocar em dia alguns dos muitos filmes que vão ficando em reserva e que, por uma ou outra razão, me despertaram a atenção. Ontem à noite dei uma hipóetese à Meryl Streep e deliciei-me com o sei It's Complicated.
Incrível como ela consegue dar personalidade até à personagem de uma comédia romântica. Nota-se nos pormenores. Pequenos detalhes que vemos perfeitamente que partem dela, da sua expressividade e competência enquanto actriz. Não admira que continue a ser nomeada, ano após ano, para os óscares.
O filme tem pouco que saber e o trailer conta a história quase toda. Relações mal resolvidas, que passaram o seu tempo, e o desejo de começar de novo sem arrependimentos do que se deixou para trás. E é o conseguir ver a evolução de uma personagem, que consegue tomar as atitudes mais contraditórias sem por isso deixarem de ser coerentes.
Fica a sugestão, para um domingo à noite, quando se quer terminar em beleza o fim de semana.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Momento da Semana - A Origem


Para quem gosta do género Matrix e afins, este pode ser um bom programa para uma ida ao cinema. Vi o filme ontem e ainda não me sinto à vontade para tecer considerações sobre ele, mas, logo à partida, uma fotografia estonteante e efeitos visuais de nos fazer mexer na cadeira. Os arquitectos, em particular, vão adorar. Não é particularmente inovador, as ideias que debate podem ser facilmente encontradas em filmes como Matrix, Constantine, e outros do género, e o drama pessoa do protagonista é algo básico. Não surpreende pelo final, a meio do filme já sabemos como vai terminar. Cativa mais pelo seu todo, pelo que vamos descobrindo à medida que a acção avança, e pelas excelentes interpretações de DiCaprio, Page e Cutillard (se um destes não for nomeado para os óscares será uma grande injustiça). Em especial DiCaprio, que parece carregar mesmo com todo aquele mundo, e a banda-sonora de Hans Zimmer.
Assim à partida, necessitando de uma segunda visualização, é um filme para apreciadores deste tipo de temáticas e não tanto para quem deseja surpreender-se.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Momentos

São as questões da força ética

Com que brinco sem saber

O Homero

A Odisseia

Há muito deixaram de me envolver

São os tempos do faz de conta

Que já não se podem catalogar

Os oceanos

E as suas histórias

Deixaram de ter segredos para me contar

É a dor de alma porque nela se fere

As pequenas coisas do nada saber

Sendo piedosa, mulher solene

Vive-se pelo que de correcto

Se julga viver

Os tempos perderam o verbo

Que em conjugações fazia o seu julgar

A página permanece em branco e ciente

De que aquilo que se escrever

Será eterno

Cedo demais

Ou tarde

Se compôs a obra da vida

As decisões que nos cabem

Em vão são certas e sábias

Não queria o meu mundo

Decair em tristes mágoas.

domingo, 20 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A melhor cena de um Filme XIV - Crianças

Little Miss Sunshine

- Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos -

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O título não é a tradução literal, mas assenta melhor que o original, não acham?

(a melhor parte: os seguranças atrás do DJ)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eurovisão 2010

Mereceu, não mereceu?

Andam a ganhar músicas muito "teen" nos últimos anos...

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Melhor cena de um Filme XIII - Dias de Sol

A melhor cena de Antes do Amanhecer? Todas! Não tenho falhas a apontar ao filme, da realização ao argumento, fora a vontade imensa que me deixou de conhecer Viena. É dos poucos filmes cuja sequela é tão boa quanto o original. Ainda que neste primeiro gostemos de acreditar que de facto o final foi outro...
Tenho várias cenas fvoritas, mas esta deve ser uma das melhores frases de engate do cinema.

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domingo, 16 de maio de 2010

A Melhor Cena de um Filme XII - Gladiador

Pronto, adoro este filme. Lembro-me que da primeira vez que vi até nem achei nada de especial, mas quanto mais vejo, mais gosto. O filme tem várias cenas excelentes, mas adoro a cara do Rei nesta sequência, que é também uma das mais significativas. É o marco da carreira de Scott e tudo o que fizer posteriormente será comparado a este Gladiador.

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Hood à maneira de Scott

Estava aqui a lembrar dos filmes do Robin Hood que conheço, e inclusive da série que passou aqui há uns tempos, de forma a comparar com o trabalho de Ridley Scott que vi ontem à noite. Está interessante, de facto. Revitaliza a história de uma forma diferente do tradicional. Ainda que durante a maior parte do filme estivesse à espera de ver o Coliseu romano a qualquer momento, o filme lá se conseguiu distanciar.
Tem umas quantas incongruências históricas, mas perdoa-se. O trailer era bastante enganador. Dava a sensação de que iriamos acompanhar as aventuras de Robin Hood pela Floresta de Sherwood, quando afinal a película mais não trata que o nascimento da lenda, terminando justamente no momento em que o princípe dos ladrões se refugia na Floresta (e pelo caminho salva Inglaterra e conquista a menina do filme).
Vemos um Rei Ricardo que em tudo se afastada da tradicional imagem do Coração de leão. Pessoalmente, associo sempre o Sean Connery ao papel, e ver um rei pequenito, gordo e sanguinário teve a sua surpresa. Ao mesmo tempo, deu-se a dupla visão que paira sobre esse rei, visto como um herói por uns e como um tirano por outros.
É sobretudo o povo que se evidencia, a revolta do povo contra os senhores das terras. Por tal, o Robin Hood não é um fidalgo ou um nobre como em outras adaptações, mas um soldado a soldo que se desencanta com a guerra. Nem patriota nem nobre, um filósofo. Apesar de lá para o fim, que no trailer dava a sensação de ser o início do filme, virmos a descobrir que o rapaz até tem uma certa linhagem.
É um filme de guerra, como não poderia deixar de ser, que muito nos remete para Gladiador. Demora imenso a arrancar com a história, mas vai compensando com as aparições de uma Lady Marion muito pouco convencional.
De resto tem as célebres personagens, o Frei Tuck, o João Pequeno, o Principe/Rei João com uma paixão por uma francesa que a dado instante até nos faz gostar dele.
Como dizia mais acima, é o Robin Hood do povo, olhando para os que estão acima de si, vendo-lhes as virtudes e os defeitos. Hood à maneira de Scott, fazendo o espectador esperar pelo Circo Romano. Não está mau, mas vai ser esquecido.

sábado, 8 de maio de 2010

Um pouco de fé



Uma vez que vivemos dias virados para as manifestações de fé, não será descabido dizer que é sempre tempo para tornar a acreditar em acções menos santas, mas também dignas de louvor. Isto porque tinha perdido a esperança de ver retratos de época dignos de referência, mas parece que eles continuam a surgir, ainda que mais ou menos disfarçados por sugestões algo polémicas e que facilmente retiram algum crédito a obras que o merecem.
Na outra noite dei por satisfeita a curiosidade sobre dois filmes que me andavam a atormentar a alma há algum tempo. O primeiro foi o ABC da Sedução (The Ugly Truth) que surgiu como um pequeno fenómeno há uns tempos e desapareceu com com o mesmo fulgor do seu início.

O trailer remetia para as eternas comédias românticas de Meg Ryan, e o filme é-o em certa medida. Diria que se perdeu certa inocência na forma como se lidava com certos temas, ainda que estes estivessem implícitos. Talvez na ressaca de Um Azar do Caraças, as comédias românticas não voltarão a ser o que eram antigamente.

A protagonista feminina, que parece ter deixado definitivamente as lides de Seatle Grace, aparece como legítima defensora dos nomes que a antencederam. O filme foi recebido com alguma decepção e desilusão quanto às expectativas, mas julgo que se tratou dessa perda de inocência ao modo dos anos 90. E o filme é o fruto do seu tempo, ainda que patine um pouco no argumento e na realização. Poderia ter chegado bem mais longe do que chegou.

O segundo filme da noite foi A Duquesa. Confesso que as referências à Princesa Diana me haviam desanimado em relação à película. Aguardava um trabalho cheio de comparações, com uma Keira Knightley enfrentado corajosamente a sua sorte, à revelia de todos.

Na prática, as semelhanças são mais que óbvias, não fosse apenas pela forma como a Duquesa parecia chamar as atenções. Keira dá-lhe, contudo, uma suavidade muito própria, uma forma de estar e de agir que se afastam da imagem da sua descendente. Perunto-me porque não foi ela nomeada para os óscares, uma vez que esta é sem dúvida uma das suas mehores prestações.

E recuperei um pouco a fé nos filmes de época, remetidos para os clássicos adaptados de Jane Austen ou de qualquer outro best-seller. O filme poderia ter sido mais arrojado, ter explorado melhor os vícios da Duquesa e a sua exposição em sociedade. Em vez disso perdeu-se nos jogos do romance e na sua relação com o Duque. O filme não é menos intenso por isso, mas poderia ter sido muito mais. De assinalar a cena em que ela entrega Eliza, de cortar o coração.

Por fim, os dois filmes são a expressão de duas actrizes da mesma geração que se afirmr, cada uma à sua maneira, no cinema actual. Ouviremos falar das duas, ainda que acredite que a Keira tenha muitas mais hipóteses de crescer profissionalmente do que a colega, que se enreda cada vez mais no perigosos, e limitado, circulo das comédias românticas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Melhor Cena de um Filme XI - Achas que sabes dançar?

Via ontem o novo programa da SIC - Achas que sabes dançar? - e recordava-me de uma série de filmes que têm a dança como elemento central. Coloco aqui esta cena não por ser a minha favorita, mas porque foi a única parte do Save The Last Dance que vi até hoje. Já me disseram que o filme é um pouco básico, mas entre as cenas finais de dança que marcam qualquer película do género, julgo que esta se destaca. Vá...a do Dirty Dancing se calhar também merecia...

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domingo, 2 de maio de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Antes de dormir


Antes de começar este post tenho que deixar o aviso: Orgulho e Preconceito é um dos meus livros favoritos! Li-o teria os meus 11 anos, por mera curiosidade, emprestado por uma amiga. Da Jane Austen só sabia que um dos seus livros tinha sido adaptado recentemente ao cinema com a Kate Winslet como uma das protagonistas. Por isso li-o naquela descontracção da descoberta, sem saber muito bem do que se tratava e se calhar demasiado jovem para o entender no seu todo.
Tornei a relê-lo várias vezes, sempre com a mesma empolgação. Surpreendia-me a forma como a autora (des)caracterizava as suas personagens e a maneira como olhava para o mundo que a rodeava, com perspicácia e ironia. Ler sobre aquela sociedade também me fascinava e a leitura das restantes obras de Austen fez-me, de certa forma, um certa introdução literária ao romantismo.
Ontem apanhei num dos canais da TV por cabo a mais recente adaptação ao cinema de Orgulho e Preconceito, que deu efectivo reconhecimento a Joe Wright e Keira Knytley. Lembro-me que fui ver o filme ao cinema com uma série de amigas e, à saída, comentava que estava excessivamente romântico quando comparado com o livro. A abordagem de Wright era muito interessante, os pormenores, todas as ideias que um jovem realizador gosta de mostrar na sua primeira obra, oferecendo ao filme um ar jovial, porventura mais verdadeiro, menos apegado ao livro e mais ao encontro de novos públicos. Como estava longe daquele ambiente contido, mais frio e reprimido de outras adaptações, quase cópia da obra de Jane Austen, como a famosa série da BBC que deu fama a Colin Firth!!
Comentámos que se tivessem colocado o Colin Firht com a Keira o filme até teria funcionado melhor.
Julgo que a BBC já fez nova adaptação televisa de Orgulho e Preconceito, mas deixemo-nos ficar pela mais antiga. Está mais próxima ao livro, o que lhe retira algum dinamismo. Vemos uma Elizabeth romântica, mas sobretudo orgulhosa e bastante terra a terra. Já com a adaptação de Wright encontramos uma Elizabeth menos orgulhosa, diriamos mais teimosa, sonhadora e aqui sim romântica demais para o seu tempo. No livro e na série da BBC a força do dinheiro e da posição social, assim como os preconceitos a ele associados, estão muito mais evidentes. No filme, orgulho e preconceito parecem mais associados a teimosia e mal entendidos. Um filme de adolescentes, como o próprio

Wright o caracterizou a dada altura.
É uma abordagem mais actual, que traz a sua frescura. A cena em que o Darcy se declara está muito melhor que no livro. Mas o filme perde-se um pouco nesse excesso de romantismo, que abafa o lado material que a própria Elizabeth constantemente lembrava, ainda que com ironia, mas consciente do seu peso.
O Darcy do filme de Wright é sobretudo tímido e mostra desde o início essa timidez. Colin Firth soube impôr-se, dando a mesma impressão ao espectador que deu a Elizabeth: a da arrogância, orgulho, preconceito. O filme falha neste aspecto.
De uma forma geral, a obra de Jane Austen dá material para discutir uma tese para quem o quiser. As adaptações são tantas e variadas que poderíamos passar o dia a discutir qual a melhor versão. Para cinema, das que vi até hoje, voto na de Joe Wright. Retira o essencial e não se perde em virtuosismos da época, ainda que esteja bem enquadrada. É assim mais honesta e menos politicamente correcta.

domingo, 25 de abril de 2010

Noite de Cinema


Um desperdício de dinheiro. Valeu pela companhia e pelo entretenimento. Eu já sabia que filmes sobre mitologia grega dão sempre nisto, mas continuo a acreditar na potencialidade do material (e definitivamente o 3D ainda não me cativou, não vejo grande vantagem).


quinta-feira, 22 de abril de 2010

No Dia da Terra


Um dia no Agroal







A parte mais famosa do Agroal é a sua praia fluvial e a nascente que forma uma piscina, mas ficam aqui estas imagens de espaços menos visíveis e que fazem parte da envolvência do lugar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

De novo com Truman


A aconselhar

(na falta de não saber bem o que dizer)


sábado, 3 de abril de 2010

A melhor cena de um Filme X - Fase Ridley Scott


Já alguém viu o Inadaptado?

Basicamente, trata-se de um filme com Nicolas Cage que traça um retrato (ficcionado?) do argumentista da película Being John Malcovitch. O personagem está a passar por uma forte crise de inspiração após este último êxito, não ajudando o facto de ter um irmão gémeo que com muito menos esforço faz melhor que ele, para além de ter uma vida social muito mais activa. Quando a película começa a caminhar para o fim, vemos o Inadaptado a procurar ajuda junto de um professor de guionismo, naqueles cursos quase instantâneos que oferecem as linhas básicas de como ter sucesso na área. O professor ouve pacientemente os problemas do personagem em adaptar um livro para o guião de um filme e diz-lhe, por fim, qualquer coisa do género: não interessa se a história é boa ou má, se os actores são ou não conhecidos, se a realização presta. Desde que exista uma frase que fique no ouvido e um final inesperado o filme é um sucesso! (perdoe-me quem conhece o filme melhor que eu, devem aqui existir alguns erros, mas a ideia é sobretudo esta).

Lembrei-me desta história ao ver pela enésima vez o trailer do mais recente filme de Ridley Scott, "Robin Hood", que apesar de alguns temores da minha parte (devido à já caducidade do tema, aquilo parece uma mistura de Braveheart+Gladiador+Reino dos Céus), estou em pulgas para que chegue ao cinema. Até ao momento, uma das coisas que se retira da história é que assenta sobre uma frase dita logo no início pelo protagonista: "Rise and rise again, until lambs become lions". A linha pela qual se rege o filme, digamos. Pensando no caso, reparei que este é um método muito usado pelo realizador para captar o interesse do público. Logo à partida poderíamos falar no "Gladiador" e o seu "not yet", mas o "rise and rise again..." fez-me lembrar outro trabalho do realizador.

Já aqui deixei uma vez este clip, mas uma vez que estou em fase Ridley Scott, aguardando pelo seu Robin Hood, deixo aqui a melhor cena de um dos meus filmes favoritos. Também ela com uma deixa que se torna no esqueleto de toda a obra.


"A never saw a wild thing feel sorry for itself..."

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É certo que chavões que fiquem no ouvido não são característica única dos filmes de Ridley Scott, mas fica a ideia.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Momento da Semana


A Filha de Ryan (1970)

terça-feira, 23 de março de 2010

Contando como foi

Continuando uma discussão que comecei num blogue de cinema que frequento com assiduidade, vinha deixar umas considerações sobre os filmes românticos. Os mesmo piegas, daqueles que uma pessoa tem vergonha de dizer que gosta, tal qual a malta há uns anos quando se falava na Sailor Moon e ninguém confessava que era fiel seguidor.
Vou começar pelo episódio deste domingo da série "Conta-me como foi". Para quem não viu, a história girou em torno da exibição no cinema do filme "Love Story". Logo no início o enredo era contado e mostrava-se um pouco do entusiasmo em torno do filme.
É daquelas obras que acabam desacreditados pelo excesso de romantismo. Não que não sejam boas ou que não possuam um clube de fãs! Mas é a tal situação dos actores bonitos, história lamechas, sentimentalismo melodramático, películas que se fartam de fazer dinheiro, dão protagonismo aos que nela encenam, mas terminam marginalizadas por serem sobretudo sentimentais.
Comentava no dito blogue o caso do Titanic. O filme ganhou 11 óscares, se não estou desactualizada é ainda o mais visto da história do cinema, foi uma revolução na altura, os protagonistas são hoje considerados dos melhores da sua geração...mas anda um desdém enorme em torno dele. Parece que já se esqueceram da febre que foi há 10 anos.
É certo que dado os avanços tecnológicos actuais o filme tenha tendência a ser reduzido a uma história romântica, apesar de estar bem longe disso. Não vou dizer que o sentimentalismo não seja uma parte importante da obra, mas o filme tem um argumento bom (algumas notas históricas inseridas são bastante interessantes), algo que a maioria desses filmes que fazem sucesso nas bilheteiras peca por falhar. Acho injusto a forma algo trocista como falam do Titanic actualmente. Teve o seu tempo, mas está longe de se resumir a caras bonitas e lágrimas fáceis. Digo eu...
Talvez daqui por mais alguns anos o filme volte a fazer as pazes com a crítica e o público, assim que o tempo o erga à verdadeira classifcação de clássico.
Voltando ao Love Story, confesso que nunca vi o filme, apenas conheço a sinopse e a banda sonora. De uma forma geral, presumo que não se afaste muito daqueles amores juvenis que cativam e cujo caso mais recente provavelmente será a Saga Crepúsculo. Podem mais tarde cair no ridículo, mas o certo é que enquanto por cá andam fartam-se de dar dinheiro e protagonismo aos que os integram. Alguma coisa terão que ter para levar tanta gente ao cinema...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Fim de Semana em Limpeza


Quem andou a limpar Portugal este fim-de-semana? Eu não andei - confesso - mas estive perto e também fiz a minha parte. Foi, no entanto, com algum desânimo que ouvi comentários do género "mandem para lá os do fundo de desemprego" ou "a minha cave é que precisava de ser limpa". Podem nem ser comentários sérios, mas demonstram um pouco da mentalidade que ainda percorre a nossa sociedade menos habituada a campanhas deste género. Ninguém me tira da cabeça que a história dos Ecopontos para as habitações só resultou por causa da publicidade.

Isto porque o Limpar Portugal era um movimento cívico, de consciencialização, que se pretendia um alerta para a necessidade de cuidar das nossas florestas. Os meios de comunicação falaram no assunto, parece que o Presidente da República passou duas horas a apanhar lixo, mas na véspera do último sábado encontrei várias pessoas que nem sabiam que o projecto se ia realizar.


O que falhou? Dadas as expectativas e mesmo o mau tempo, a iniciativa até foi considerada um sucesso. Mas faltou mais aposta na divulgação e um maior impacto nas televisões e internet. Não pude deixar de notar que para muitos tudo passou um pouco ao lado e o que ontem foi limpo hoje se não está igual, para lá caminha.


Enfim, vamos ter esperança nos resultados e no impulso da iniciativa. Se os pequenitos de 5/6 anos que vi nas matas de Ourém tiverem achado piada ao dia, por certo será o suficiente para que daqui para a frente se limpe Portugal muitas mais vezes.

Eurovision is coming II- Romanca

Corria o ano de 2008 e este pequeno grupo da Croácia traz uma música deveras encantadora. Com os toques latinos, consegue passar a semi-final e acaba por obter o 21º lugar.
Apesar de nesse ano ter, efectivamente, achado que quem merecia ganhar éramos nós, este grupo também não me passou ao lado.
De Kraljevi Ulice e 75 cents, "Romanca".


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Marta

terça-feira, 16 de março de 2010

Eurovision is coming I- In my dreams

No próximo mês de Maio realiza-se em Oslo, na Noruega, uma nova edição do Festival Eurovisão da Canção. Como manifesta fã deste espectáculo, lembrei-me de que seria interessante revisitar algumas das prestações de que mais gostei, dos últimos anos. Não as que ganharam, essas já viram reconhecido o seu mérito. Vou sim mostrar algumas canções que, por uma ou outra razão, não ficaram melhor classificadas mas que, nem por isso, deixam de ser relembradas.
Visto que o certame decorre, este ano, na Noruega, começo com um outro seu representante que fez furor no ano emm que participou (2005), mas que se ficou pelo 6º lugar.
O grupo chamava-se Wig Wam e a canção "In my dreams".

Come on...

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Marta

domingo, 14 de março de 2010

O Regresso de Alice


Confesso que sempre tive uma relação amor-ódio com o conto "Alice no País das Maravilhas". Foi dos poucos filmes de animação da Disney que não vi e mesmo os livros nunca me despertaram grande curiosidade. Talvez devido à falta de lógica (ou de não conseguir atingir a lógica de tudo aquilo).
De qualquer forma, fui ver o mais recente filme de Tim Burton com alguma curisidade e tive uma agradável surpresa. Alguns pontos da história estão um pouco...enfim...podiam ter sido feitos de outra forma, mas no geral temos aqui um bom regresso ao País das Maravilhas.
Não li ainda grandes críticas sobre esta obra, quem quiser comentar é bem vindo...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Depois da noitada do ano


Em jeito de resumo, para não me expandir muito como é meu hábito, aqui ficam algumas considerações sobre a Gala dos Óscares 2010.


1) A assinalar a abertura em tons clássicos, a lembrar os musicais de outras décadas, onde parecia que o Fred Astaire iria surgir a qualquer minuto

2) Alguns dos filmes que composeram o clip em homenagem aos filmes de terror eram um tanto questionáveis quanto à sua inserção no género (a Lua Nova, por exemplo, pode ter vampiros e lobisomens, mas vamos com calma...)

3) A homenagem aos desaparecidos do ano anterior estava um tanto mal realizada, o enfoque no guitarrista fez perder aos telespectadores a Memória de alguns nomes do cinema, como Patrick Swayze

4) A assinalar os discursos de Sandra Bulock e Mo'nique, momentos altos da noite

5) A banda sonora que acompanhava a entrada em palco dos apresentadores das categoriais esteve um mimo, com reminescências certeiras a Casablanca e Breakfast at Tyffanis, por exempo

6) Steve Martin e Alex Balduin (não tenho a certeza se está bem escrito) estiveram bem...mas podiam ter estado melhor

7) Nota negativa para a forma atabalhoada como apresentaram o melhor filme

8) Nota positiva para a caracterização de Ben Stiller na apresentação do óscar de melhor maquilhagem

9) Surpresa na vitória de "Estado de Guerra" como Melhor filme

10) No dia da Mulher, a assinalar a vitória da realizadora de "Estado de Guerra", pela primeira vez na história da Academia

11) Nota positiva para os comentadores da TVI, muito caladinhos, a comentarem exactamente nas alturas certas

12) Uma cerimónia em tudo inferior à do ano passado, desde o espectáculo aos nomeados (se é para escolherem 10 filmes, um pouco mais de bom gosto pedia-se)

domingo, 7 de março de 2010

"Há dias assim" na Eurovisão 2010

Confesso, não era a minha favorita para ganhar. No entanto, de entre o leque das 24 canções finalistas esta fazia parte, sem dúvida, do meu top 5.
Uma balada simples, muito digna, com uma letra lindíssima.
Ganharemos a Eurovisão? Tenho as minhas dúvidas. Faremos boa figura? Isso sim, de certeza.
Tendo sido um dos melhores Festivais da Canção dos últimos anos, foi, apesar disso, vergonhosos os últimos minutos, em que certos elementos do público não se coibiram de demonstrar o seu degrado com a votação, apupando a vencedora. Deplorável!
Filipa não te rales com isso. Portugal está contigo!
Estaremos, pois, dia 25 de Maio, aqui a apoiar-te na tua aventura em Oslo, na Noruega.


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E já agora, deixo aqui também a versão em inglês desta música que é, no mínimo, interessante.

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Marta

quinta-feira, 4 de março de 2010

Crónica de Uma Morte Anunciada


“A Ilha das Trevas"


Qual é a imagem televisiva mais antiga de que te recordas? Para nós, jovens mentes ávidas de conhecimento, mas que calcorreamos este mundo há relativamente pouco tempo, as respostas podem ser tão díspares quanto os poucos anos que nos separam. Alguns dirão que se lembram de chamas, confusão, choque e tudo o que envolveu o incêndio do Chiado. Outros recordarão muita gente à volta de um muro cheio de grafitis, estando este a ser desmoronado, no que ficou conhecido pela queda do muro de Berlim. Quanto a mim, poderá não ser a minha memória mais antiga, mas recordo vagamente a visão de uma multidão a correr desordenadamente num descampado…
Naquela que foi a sua obra inaugural na área do romance, José Rodrigues dos Santos leva-nos à pequena ilha de Timor-Leste, aos seus primórdios enquanto nação independente, acompanhando os passos de Paulino da Conceição e da sua família, ao longo de 30 anos que acabam por se confundir com a história do próprio país. Desde a invasão indonésia em 1975, ainda durante a ocupação portuguesa, do massacre, que se seguiu, da população, da eterna pedra no sapato que Portugal sempre teve e que não desistiu enquanto não resolveu, da atribuição dos Prémios Nobel até ao referendo de 1999, tudo se conta neste livro emocionante de relato quase jornalístico. Ao ler não nos conseguimos libertar da sensação de que “eu vi isto!”, nós fizemos parte disto! Nós fizemos parte da história!
Este é, ao mesmo tempo, o melhor livro do jornalista, apesar de ter sido, inicialmente, um fracasso de vendas. A escrita narrativa demonstra paixão e dedicação pela história, antes de o autor cair no facilitismo de Dan Brownismos desenfreados semestrais (apesar de eu até gostar da ideia de Colombo ser português) e de teorias de fazer Descartes dar voltas no túmulo, com um Tomás de Noronha misto entre James Bond e Indiana Jones.
Tendo como ponto fulcral o massacre de Santa Cruz, fica a ideia de que, mais do que o horror, as pessoas se sentiram identificadas com a população timorense pelo simples facto de a terem ouvido rezar em português… Um livro essencial para qualquer pessoa que se sinta um leigo no passado recente das nossas ex-colónias.
Depois vieram os bestsellers…




Marta

in Mordente