sábado, 8 de maio de 2010

Um pouco de fé



Uma vez que vivemos dias virados para as manifestações de fé, não será descabido dizer que é sempre tempo para tornar a acreditar em acções menos santas, mas também dignas de louvor. Isto porque tinha perdido a esperança de ver retratos de época dignos de referência, mas parece que eles continuam a surgir, ainda que mais ou menos disfarçados por sugestões algo polémicas e que facilmente retiram algum crédito a obras que o merecem.
Na outra noite dei por satisfeita a curiosidade sobre dois filmes que me andavam a atormentar a alma há algum tempo. O primeiro foi o ABC da Sedução (The Ugly Truth) que surgiu como um pequeno fenómeno há uns tempos e desapareceu com com o mesmo fulgor do seu início.

O trailer remetia para as eternas comédias românticas de Meg Ryan, e o filme é-o em certa medida. Diria que se perdeu certa inocência na forma como se lidava com certos temas, ainda que estes estivessem implícitos. Talvez na ressaca de Um Azar do Caraças, as comédias românticas não voltarão a ser o que eram antigamente.

A protagonista feminina, que parece ter deixado definitivamente as lides de Seatle Grace, aparece como legítima defensora dos nomes que a antencederam. O filme foi recebido com alguma decepção e desilusão quanto às expectativas, mas julgo que se tratou dessa perda de inocência ao modo dos anos 90. E o filme é o fruto do seu tempo, ainda que patine um pouco no argumento e na realização. Poderia ter chegado bem mais longe do que chegou.

O segundo filme da noite foi A Duquesa. Confesso que as referências à Princesa Diana me haviam desanimado em relação à película. Aguardava um trabalho cheio de comparações, com uma Keira Knightley enfrentado corajosamente a sua sorte, à revelia de todos.

Na prática, as semelhanças são mais que óbvias, não fosse apenas pela forma como a Duquesa parecia chamar as atenções. Keira dá-lhe, contudo, uma suavidade muito própria, uma forma de estar e de agir que se afastam da imagem da sua descendente. Perunto-me porque não foi ela nomeada para os óscares, uma vez que esta é sem dúvida uma das suas mehores prestações.

E recuperei um pouco a fé nos filmes de época, remetidos para os clássicos adaptados de Jane Austen ou de qualquer outro best-seller. O filme poderia ter sido mais arrojado, ter explorado melhor os vícios da Duquesa e a sua exposição em sociedade. Em vez disso perdeu-se nos jogos do romance e na sua relação com o Duque. O filme não é menos intenso por isso, mas poderia ter sido muito mais. De assinalar a cena em que ela entrega Eliza, de cortar o coração.

Por fim, os dois filmes são a expressão de duas actrizes da mesma geração que se afirmr, cada uma à sua maneira, no cinema actual. Ouviremos falar das duas, ainda que acredite que a Keira tenha muitas mais hipóteses de crescer profissionalmente do que a colega, que se enreda cada vez mais no perigosos, e limitado, circulo das comédias românticas.

2 comentários:

Roberto Simões disse...

Por acaso tenho A DUQUESA ali na box para ver. Talvez o veja mais rapidamente, agora que falaste nele. Hmm...

Cumps.
Roberto Simões
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claudiagameiro disse...

Não será um filme para todos os gostos. No meu caso, fiquei algo surpresa