quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dia Santo



E, finalmente, mais uma licenciada neste país...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ennio Morricone no seu melhor (2)

Mais uma música que comprova a excelência deste grande compositor. Também para os fãs de Cinema Paraíso.

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domingo, 27 de setembro de 2009

A história

Eu fiz-te ver,


em teimoso sacrifício,


que a adoração


é voto frágil,


inconsequente,


e de tacanha


devoção




Foram outras escolhas,


imagens elaboradas


em papiros escondidos,


esquecidos,


de linguagens desconhecidas


e profissões insconstantes...




Saiba, meu senhor


que não se pede


o inquestionável,


nem se pretende


o proibido;


Quer-se o desejo


do que é palpável


seguro e perdoável,


e que em decisões


transforma o perigo




Foram temas


debates e resoluções...


Passagens de um segredo


que se anseia ainda por desvendar.


Não são ideais


nem breves vergonhas


apenas ilusões


de mártires que por si


se dispõem a imolar




A cabeça ergue-se


indiferente


a paisagens que não são suas


nem de nome;


Recordações de heranças,


apenas essas,


talvez lembranças,


que em vão ainda procuram


de novo se desenhar




A dança recomeça


e a oração é fervorosa...


a beata em fé se defende


da tentação que lhe é exposta,


em guerreiros de outra esperança


em falsificações de si mesma


em soluções sem confiança


e em dissertações em dose incerta;


o tempo revolve


torna-se a esquecer


e o Templo de novo se erige


na inveitável consciência


de que outras histórias


há ainda por escrever


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Fantasma

Era dela ou do tempo? Inesperado, conseguia senti-lo na pele, a rugosidade da matéria, fria, segura, eterna, e a leveza dos seus instrumentos, os valores com que seduziam e a incapacidade de se erguerem, realizarem e conquistarem a realidade que à imaginação impelia.
Conhecia-lhe a cor, o odor e o jeito. A imagem percorria cenas de um incompreensível filme. Foram outros tempos... Espaços de graças, de loucuras e arrependimentos. Ficara, porém, aquele fantasma... A sombra de conversas proferidas em desacordo. Olhares de mágoa que permaneceram por esquecer. As ilusões e os sonhos que se descreviam no sigular. E as certezas de que o futuro lhe deixaria, sempre, o vácuo, a negro, do que deveria ter sido, do que desejara querer ter falado e de promessas que se cumpriram, de pegadas que não se apagaram.
Tornara-se inconcebivel esquecer! A imagem invadia o seu espaço, a sua mente, a sua pele, sempre que a guarda baixava, a memória aclarava e a voz, pesarosa, rouca, altiva, se afligia nos gritos que não era capaz de violar. Tudo, então, se misturava: o odor, o toque, o sabor, a vertigem... A pele rasgava quando roçava a pedra, a tijolheira sem cor, as ranhuras da velhice e emergia, uma e outra vez, na leveza da água. O nada envolvia-a, fazia-a querer descer, sumir, quando a contra gosto respirava. Aí, surgia novamente o fantasma.
Pedaços tardios de conversas por escrever, carícias que nunca foram dadas, cartas de solidão no plural, passeios eternos de triste melancolia. O fantasma era uma sombra, tinha traços, mas o rosto fugia. A expressão iróica, o sorriso galante... Mas o tempo esbatia o timbre de uma voz, uma ideia sem nexo e sem receios, as certezas de histórias por escrever.
Eram longas as conversas com aquele fantasma. Os encontros do nada, em qualquer parte do mundo. Os sonhos de assaltos em receios de o ver. E as ausências, por fim constatadas, de que se foi o momento de eternas possibilidades.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Descubra as diferenças

Sempre achei que para um filme se tornar um clássico tem de deixar uma ou duas cenas para a posteridade, que sejam consequentemente repetidas em outros filmes, os quais, por sua vez, podem dar origem a novos clássicos.
Eis aqui alguns exemplos...

A Diva


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A Rainha



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E... o Mestre


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Marta

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Time of my Life



Não é o Dirty Dancing o filme favorito das mulheres de 30 anos? Vamos lembrar Patrick Swayze nos seus melhores tempos, altura em que dançava e fazia todos dançar, que vai deixar saudades e muitos corações partidos...




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domingo, 13 de setembro de 2009

Em fase relatório



Eu pensava que um verdadeiro dandy nunca faria amor com Scarlett O´Hara nem com Constança Bonacieux, ou com a Pérola de Labuan. Eu brincava com o folhetim, para passear um pouco fora da vida. Descansava-me, porque propunha o inalcançável. Afinal não... Tinha razão Proust: a vida é representada melhor pela má música do que por uma Missa Solemnis. A arte goza connosco e descansa-nos, faz-nos brincar, mas depois ao mundo faz-nos vê-lo tal como ele é, ou pelo menos será. As mulheres são mais parecidas com a Milady do que com Lucia Mondella. Fu Manchu é mais verdadeiro do que Nathan o Sábio, e [a história] é mais parecida com a que é contada por Sue do que a que é projectada por Hegel.


in O Pêndulo de Foucault
Umberto Eco

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ecoparque Sensorial da Pia do Urso




Mesmo ao lado de casa, sem nunca por ali ter passado, o Ecoparque da Pia do Urso não é mais que uma velha aldeia, cujas casas foram restauradas e o percurso pedonal na serra reformulado, de modo a criar uma experiência na natureza dedicada aos invisuais. Considerado único no mundo, o passeio pela Serra D'Aire segue por vários pontos, onde jogos e vários cenários lúdicos não dispensam o braille, permitindo um passeio agradável na encosta, um piquenique ou uma tarde de descanso.
A prova que boas ideias não precisam de vir acompanhadas da destruição do meio ambiente.










sábado, 5 de setembro de 2009

Lendo os Livros e vendo os Filmes


Ler/ver determinado livro/filme que tenha o seu enredo transposto simultaneamente nos dois suportes, provoca sempre, no mínimo, três efeitos no leitor/espectador que se disponha a conhecer a narrativa: o daquele que leu primeiro o livro, o daquele que viu primeiro o filme e o daquele que lê o livro/vai ver o filme por simples curiosidade, sem ter qualquer contacto com a acção que se vai desenrolar. Diria que a posição ideal é a do terceiro indivíduo. Sem quaisquer noções ou perspectivas a respeito da obra em causa, vai avaliá-la calmamente, talvez atingindo a sua verdadeira natureza, observando detalhes, surpreendendo-se com o inesperado e apreciando o livro/filme por aquilo que é e não tanto pelo que desejaria que fosse ou tivesse sido. A experiência torna-se, assim, mais agradável e completa, uma vez que é simplesmente a história, a narrativa (sob qualquer formato), as personagens e os cenários que nos cativam e não as imagens pré-definidas que temos deles. O mesmo não acontece com qualquer outro dos casos…
Dá-me um certo gosto, no entanto, ler primeiro as obras e apenas depois avaliar o mesmo enredo num filme. Sobretudo quando se tratam dos chamados clássicos da literatura mundial, uma vez que dadas as exigências actuais do espectador, a transposição para a película dá sempre azos a alguma romantização da narrativa por parte dos guionistas. O público, em muitos casos, até agradece, colmatando assim um ou outro defeito encontrado na obra da sua predilecção. E se há aqueles realizadores que seguem quase ipsis verbis as cenas, diálogos e o tempo cronológico dispostos nos livros, outros existem que não se inibem de trabalhar um pouco a imaginação, reescrevendo cenas e histórias, de modo a que fiquem mais ao gosto do público contemporâneo ou mais propensas a mostrar a potencialidade da sétima arte no seu melhor.
Ler os livros e ver os filmes é, sem dúvida, uma experiência que, se nos dermos a esse trabalho, ainda dá que pensar. Há um certo temor, julgo, em modificar muito o enredo dos grandes clássicos, tal a sua preponderância no espaço que ocupam na literatura mundial. Filmes como O Retrato de uma Senhora ou Anna Karenina são quase cópias exactas dos livros de que serviram de inspiração, uma vez que, sendo o resultado de uma interpretação já definida, é difícil para o realizador mostrar a sua criatividade. Em certos casos, no entanto, em grande parte quando são jovens com pouca experiência, mas com vontade de se afirmar ao colocar as mãos nesse material, vão saindo umas ideias um tanto ou quanto originais, reescrevendo, em certo modo, a história, uns mais que outros, sem nunca a atraiçoar. Pessoalmente, considero que foi esse o caso do último Orgulho e Preconceito. De outros livros, menos clássicos mas de autores também consagrados, poderíamos falar ainda de Expiação, Senhor dos Anéis, O Ensaio sobre a Cegueira, Chocolate e muitos, muitos outros, mas só para referir os mais recentes.
Grandes clássicos ou não, há também aquela tendência para contemporizar as obras datadas, romantizando-as, quase sempre, ou procurando introduzir a moral que defendem nos novos tempos. No momento, lembro-me do último Grandes Esperanças, poderia falar ainda de um filme coreano que adaptou a obra Daddy Long-legs, e outros, cuja imaginação agora me falta.


Toda esta argumentação para falar de um sem número de ideias que me passaram pela mente ao acabar de ler O Véu Pintado, obra que finalmente descobri num canto recôndito de um supermercado, depois de há muito ter visto o filme. Confesso que esperava ver a história do filme suceder-se enquanto lia (embora a tradução portuguesa que tenha encontrado deixe muito a desejar), o que foi acontecendo até chegar sensivelmente a metade da obra. A partir daí foi um reler completo dos acontecimentos e tomar contacto com uma narrativa que me era desconhecida.
Findo o livro - que aconselho vivamente - ao matutar nas duas obras, deparei-me com uma conclusão curiosa. A mesma premissa, as mesmas personagens, os mesmos acontecimentos e, em muitos casos, até os mesmos diálogos, a mesma moral e….um desenvolvimento completamente diferente, só para não dizer totalmente oposto!!! Na película de Naomi Wats e Edward Norton, a ida para a cidade chinesa infestada de cólera e o contacto com as freiras do convento francês, desempenharam em Kitty o mesmo tipo de transformação e uma vontade similar de se tornar alguém melhor que estão expressas na obra, apercebendo-se então da sua frivolidade e de como se deixara iludir tão facilmente num caso e numa paixão sem futuro. No entanto, no filme essa transformação aproxima-a do marido, no qual começa a notar as virtudes, conduzindo-os a um perdão e a uma reconciliação que no livro pouco mais ficam que implícitos. Incrível como até os diálogos resgatados da obra de Somerset Maugham adquirem sentidos completamente diferentes, sem nunca deixarem de significar exactamente o mesmo! As personagens são em tudo bastante similares, as actuações muito fiéis, mas o desenvolvimento da história é o exacto contrário.
À medida que me encaminhava para o fim da obra, não podia deixar de sorrir com uma estranha sensação. Foi como se o guionista do filme de 2006 tivesse adorado a história, todas as ideias que continha e a moral que defende, mas preferisse que a protagonista chegasse às mesmas conclusões de outro modo. Por tal, livro e filme são em tudo idênticos e em tudo divergentes, duas obras distantes que não deixam de obedecer ao mesmo tema, que, no fundo, dá nome ao título.
E é por estas pequenas coisas que vale sempre a pena ler os livros, ainda que os filmes já nos tenham retirado o entusiasmo pela história. Mesmo que ambas as obras se repitam em quase tudo, há sempre lugar para novos olhares e novas interpretações que mostram como a criatividade humana é, sem dúvida, fabulosa. Talvez mesmo ela esse tal véu pintado que é a vida…

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Para quem ainda acredita em Contos de Fadas

The Fall







Já perdi da memória a primeira vez que vi o trailer de The Fall - Um Sonho Encantado. O tempo foi passando, passando, e não havia registo da sua estreia por Portugal, nem sombra sequer da sua existência na cerimónia dos óscares. Paciência, ficará para sempre na lista daqueles famigerados filmes que só posteriormente alcançam o estatuto merecido.

Uma história de encantar, uma fotografia lindíssima, um conto de fadas que talvez pudesse ter ido mais longe, mas que mesmo assim consegue arrebatar pela sua natureza e por uma imagem cativante, capaz de contar mil e uma histórias e outros tantos sonhos. Um daqueles livros dos Grim ou do Andersen que folheávamos em crianças, líamos e relíamos, permanecíamos horas a contemplar as imagens, não interpretavámos metade da sua moral, mas a qual permaneceria, eternamente, numa memória que se reaviva e apercebe, por fim um dia, dos factos do mundo. Até lá, o conto de encantar vive de palácios e de princesas, de vilões e heróis, e talvez de um final feliz...

Para quem já não acredita em contos de fadas, o filme encanta pela ternura da jovem actriz, que durante as rodagens ficou convencida que o protagonista era mesmo paraplégico. Ou ainda pela música, que em catarse nos recorda de que material somos feitos, os nossos medos e angústias, que aos olhos de uma criança se desdobram sempre em outras cores e em outros significados.

Um filme que vale a pena ver, mais que não seja pela experiência....

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