quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Contos da Madrugada - Inverno I

As histórias nascem do que mais insólito sacude a rotina. Têm rostos de homens e mulheres, crianças e monstros, mas recordam que a vida caminha num círculo estranho, quase interrupto, onde pequenas coincidências, pequenos acasos, desenvolvem acções entre personagens avessos a narrativas e criam versos em poemas avessos à rima.

Um Inverno iniciou Outubro, mês da uva, mês da chuva, com granizo e geada nos alpendres das casas. Foram as recordações da madrugada! Aquela mulher de cabelos ruivos e barriga inchada da doença escorregou, de chinelos, no piso escorregadio, na linguagem irreconhecível de uma estação incerta. O chão faltou, mas não caiu. Como em tudo, agarrou -se com unhas à parede àspera com cor de cimento e, em sangue, reergueu-se com força bruta. O corpo cansado, a fadiga já de hábito e roupa lavada, o mesmo assobiu que lhe contenta os dias e a impede de cair, inevitavelemente e para sempre.

O rapaz tranca a porta de casa e coloca a mochila às costas. Pesa! Não há dia em que não pese. Mas os ombros - já gastos e corvados de doze anos de tal exercício - não protestam, nem sequer se apercebem que caminham, lentamente, para uma existência dolorosa nos calcanhares da velhice. Irrequieto, teimoso, percorre as ruas de terra e mato a caminho de uma escola que nada lhe diz, nada lhe espanta. No fundo - ele sabe-o - tudo se resume a letras e números dispostos ao acaso por adultos que nunca irá conseguir equiparar. A vontade e a esperança, talvez mesmo a persistência, desapareceram ainda cedo em outros testes de matemática. Ficou a rotina, tal e qual feitiço. que o encaminha, dia após dia, para uma sala cheio de um vazio de alma, ou mesmo de inspiração.

domingo, 28 de setembro de 2008

Óbito

Gostaria de te ter dito, certo dia, que a incompreensão das coisas arrasta o que de mais hediondo e pobre existe na humanidade. A dúvida transforma-se em certeza e a beleza dos pequenos cromossomas incógnitos da tua complexidade adquire certa nudez imunda, repulsiva. Esta não é exótica - nem tão pouco erótica - é apenas um pequeno pedaço de carne desprendido do brilho e da sensualidade que a compôs. Por tal, amigo, perdeste com poucas palavras o discurso certeiro e eterno de uma vida, na inconstância das tuas atitudes, no alarido inóquo do teu comportamento. Outros - quem sabe - poder-te-iam dar tréguas, ainda que breves, passos de uma caminhada imcompreensível numa estrada turtosa. Perdeste... Por mais que te procure, não te libertarás da imagem deformada que, desde hoje, a minha mente desenhou do teu nome...





sábado, 27 de setembro de 2008

O flautista e a sua sonata

Prevejo

que a sonata do meu flautista

perdeu

o encanto...


Como perdoá-lo?

Vida sem música

alma cambaleante

espírito desgastado

num luar sombrio

De noite, tenho frio

mas a canção é muda

e o ventre infértil


Pequena ilusão da consciência

perpétua dor e na saudade

canção de amor

benevolência

por quem não tem

mais que a saudade

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Composição

na pesquisa
que daqui advejo
paixão incerta
de momentos inoportunos


desejo reprimido
do que me acerca
viver sem medo
viver de sonhos

canções de sátira
amores de ódio
mares doces
de sobremesas geladas
anseios vagos
de futuros incertos
crescimento eterno
marcado na terra
ilusão esquecida
que nunca recupera

conquista
de terra inculta
nada prende
nada compõe
quem dera a mim
ser eterna
completar com palavras
pequenas divagações

se vives para ser assim
não cresças
compõe...

domingo, 31 de agosto de 2008

Dias menos bons...

Computador com vírus, telemóvel no arranjo. O isolamento do século XXI......


sábado, 9 de agosto de 2008

Novo Impacto Ambiental

Ela já brilha! Tudo o resto é história...





Dos que tardaram...mas permaneceram


Quando o vazio preenche um olhar irrequieto





"I´m in the mood for love/because I know you need me...."