terça-feira, 5 de outubro de 2010

A melhor cena de um Filme - No fim das monarquias



Maria Antonieta

Porque se comemora o Centenário da República, lembremos quando começou a nascer entre os povos a ideia da liberdade e igualdade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No fim de uma viagem

Viajar sozinho tem os seus prós e contras!
Existe, por um lado, uma liberdade imensa em conhecermos e entendermos o que nos rodeia da forma que mais no agrada. Corremos ruas, espaços e lugares com descontracção, sem medos, atentos apenas ao que vamos encontrar, as pequenas particularidades daquele mundo novo que nos é apresentado. Sem distracções de outrem, sem apegos, sem paixões, aprendemos a pensar por nós próprios, a interpretar com tranquilidade, a socializar com pessoas que de outra forma nem comprimentaríamos.
Tem a sua beleza, a sua dose de encanto. Os lugares adquirem pormenores, texturas, fazem brotar ideias, comportamentos, pessoas. Mas passam. Tão depressa os conhecemos como deixamos de fazer parte deles. Como quando se lê um livro e esbarramos com uma profunda descrição de um lugar. Ficamos a conhecê-lo, vivêmo-lo e por vezes até o sentimos, mas queremos mesmo é saber o que se vai passar com o protagonista no seu encontro com os outros.
Nada se recorda de verdade se não existirem pessoas. Tudo o resto podemos até senti-lo, maravilhar-nos com a sua existência, mas se não houver ninguém para partilhá-lo, perde-se o valor. Ganhamos meia dúzia de memórias que podemos garantir como nossas, mas que mais ninguém entende ou consegue compreender o significado. O mundo possui coisas lindíssimas, mas é preciso saber vivê-las e não apenas dispor delas.
A protagonista de Comer Orar Amar inicia a sua viagem afirmando que precisa de tempo para consigo própria, redescobrir-se, reaprender a sentir o gosto na vida e, por fim, encontrar o seu equilíbrio. Mas ao longo da sua viagem nunca está verdadeiramente sozinha. O seu ano de aprendizagem é pejado de figuras que a ajudam, de facto, a encontrar-se. E ela dá-se ao outros e apreende esse equilíbrio através das experiências por que passa com eles.
Isto para dizer que "saia da sua zona de conforto" e enfrente o mundo sozinha é muito giro, muito romântico, mas na prática a Júlia Roberts tem mais relações em 2 horas e meia de filme que algumas pessoas em toda a sua vida.
Ofereci o livro à minha irmã há alguns meses e este tem ficado esquecido numa prateleira sem que lhe mostrem o devido interesse. Não tanto por alguém por estes lados precisar de uma dose de auto-ajuda, mas porque ver de novo a Júlia Roberts no grande ecrã tinha a sua dose de interesse. Confesso que foi mais esse privilégio que o filme em si que me levou a perder o meu tempo no cinema. Esperava uma filosofia barata, uma redescoberta interior fastidiosa e já por demais batida e um final feliz à Hollywood.
O final feliz ao pôr-do-sol está garantido, o português do Javier Bardem é péssimo (fora umas frases muito curtas que vê-se terem sido amplamente treinadas, quando o homem se mete com discursos mais longos é o desastre. Era assim tão difícil arranjar um actor efectivamente brasileiro?) e a Júlia encarna de tal forma o desespero da sua personagem que não me admiraria se a academia se lembrasse dela lá mais para Fevereiro.
O argumento está bem conseguido e a realização tem alguns trunfos, ainda que julgue que a fotografia não teve a sua dose de inspiração. Os cenários são lindos, os actores secundários carismáticos e uma mensagem bem transmitida nas sequências, nas cores, nos diálogos. Mas viajar por cidades europeias e locais exóticos tem sempre o seu atractivo e não há câmara que lhes resista.
Posso atacar sem piedade o âmago da história. Fazer este tipo de experiência é também e sobretudo uma questão de oportunidade. Não vi a protagonista meter a mala às costas e dormir ao relento. Tudo esteve planeado e dinheiro era coisa que não lhe faltava. O retiro espiritual era numa espécie de hotel que a única originalidade passava por estar localizado na Índia. Presumo que seja mais fácil atingir aí o Nirvana, mas há locais desses bem mais próximos dos EUA e que obrigariam a viver o mesmo tipo de encontro interior. Mas enfim, no fundo é preciso uma certa disposição para aceitar determinados desafios e se é preciso viajar até ao outro lado do mundo, boa viagem!
Desconfio que muitas mulheres por esse mundo vão, em breve, fazer uma viagem destas, ainda que desconfie que o objectivo final passará muito por encontrar um Bardem pelo caminho. Mas para quem não tem dinheiro, nem oportunidade, nem tão pouco vontade de fazer uma viagem do género, o filme em si é um livro de auto-ajuda, com ensinamentos a que nós próprios podemos chegar sem ser preciso ir tão longe.
Não me batam, eu adorei a película, apenas entendo que podia ir mais longe. Mas talvez para entendê-la no seu todo seja precisa uma dose de maturidade que muitas das pessoas que estavam ontem no cinema não possuíam. E cada um pode interpretar o que viu, o que ouviu e o que sentiu de maneiras tão diversas quantas são as experiências de cada um.
De maneira que ir ao cinema ver Comer Orar Amar é também, em si, uma viagem que, como todas as viagens, aconselho a que se leve companhia. Não tanto pelos pormenores que se vão captando durante o filme, pois essa é uma descoberta pessoal, mas pela moral que se retira do que se viveu ao fim de três horas.
Conversem com a pessoa do lado. Vai ser interessante perceber que pouco do que terão visto significou o mesmo para os dois. E o filme vale por isso...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os que falam


Há pessoas que gostam de falar. Outras nem tanto. Há os que respondem mal e sem educação. Há os que dizem o que queremos ouvir e outros que desabafam com tamanha inocência que nos sentimos de parte com o diabo por aceitarmos tais confidências. Mas toda a gente tem qualquer coisa a dizer. De mal, de bem, sem nexo ou a maior estupidez possível. Às vezes seria preferível ficar calado. Mas enfim, muitas vezes temos mesmo que falar.

Há uns dias numa ocasião pública encontrei um desses seres que gostam de falar e opinar sobre tudo, mesmo que não tenham razão nenhuma. A pinguita da meia-noite também não deve ter ajudado. Uns riram-se, outros abanaram a cabeça, alguns saíram. Cada um gere à sua maneira as necessidades de expressão do vizinho. Nem sempre traz bons resultados, mas há quem não saiba estar calado.

Lembrei-me dessa figura singular que é o Alvy Singer e desse filme de culto que é a "Annie Hall". Não gostei lá muito da película, ainda que lhe reconheça o seu mérito e as características inconfundíveis do protagonista. Que não sabia estar calado, sem dúvida, um grande inconformado com tudo o que o rodeava e os mistérios insondáveis das relações amorosas, tão confusas quanto ele próprio. Mas demos-lhe o mérito, pelo menos exprimia-se, nada ficava por dizer. De forma desajeitada, muitas vezes sem qualquer nexo, mas com o seu encanto e a necessidade quase gritante de que reparassem nele e na sua busca incansável por respostas.

Daí que quando falamos e contamos a verdade à nossa maneira, talvez queiramos ser um pouco desse Alvy Singer na sua demanda pelos ovos. No fundo, só queremos que nos entendam. E já agora, que reparem que existimos. Ainda que seja parvoíce, ainda que nos arrependamos do que dizemos.

É capaz de ser boa noite para encontrar de novo a cara Annie Hall e dar uma volta por Manhattan ...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Na Praia Grande



E vão três

Há que manter o espírito, a vida continua. A menina ali de cima é já uma mulher, ainda que sonhe e acredite nas histórias dos poetas. Faz-lhe falta retomar as leituras, colocar a escrita em dia e tornar a criar ideias dentro do que sempre ambicionou fazer. Sozinha não consegue, mas amigas, graças a Deus, é coisa que não lhe falta.
O blogue vai ganhar uma terceira voz. De uma área diferente das outras duas, com as suas crenças e os seus valores, que vai procurar ir mantendo vivo o objectivo deste espaço, que já deu muitas voltas, foi ao outro lado do mundo, mas que quer continuar a existir.
Niké começa em breve. Seja bem vinda!!

Depois da meia-noite

A vida não anda fácil e para quem vai gostando de escrever umas coisitas menos sérias torna-se complicado manter um blogue. Como dizia há uns tempos uma personagem carismática das blogosfera cinematográfica, ter um blogue é mais ou menos como ter um filho. Pelo que com altos e baixos, esta página vai sobrevivendo a umas quantas convulsões, até porque tenho a minha dose de teimosia e gosto de levar as coisas adiante. Mais um período sem actualização, mais uma renovada no visual.

As idas ao cinema têm sido muito poucas e o videoclube cá da terra já começa a estranhar a prolongada ausência de duas das suas consumidoras. Tenhamos paciência, isto o tempo não dá para tudo e a oferta é tanta que chegar e escolher apenas um torna-se difícil. E nem tudo vale a pena! Nota-se cada vez mais essa badalada falta de ideias e novos conceitos que vai invadindo as terras do Tio Sam. Remake atrás de remake, sequela atrás de sequela, 10/20 anos depois do filme original, obras divididas em duas…para ir puxado o filão. Cansa, perde-se o entusiasmo. Teve piada no início, agora está a tornar-se cada vez mais do mesmo.

Não, não fui ver o filme do momento, “Wall Street”, nem penso que vá gastar uns euritos com a obra. Há uns dias apanhei a sessão da meia-noite e na falta de oferta variada fomos ver o “Salt”. Não sabia bem do que se tratava, não tinha visto o trailer e como o momento valeu pela companhia qualquer filme servia. Tinha a película começado há 5 minutos e já eu comentava para a pessoa do lado que na falta do inimigo russo, lá se tinham virado os americanos para os coreanos.

Erro crasso!! Eram mesmo os russos, o bode expiatório do costume, com uma teoria da conspiração das antigas. É tempo de pensar se a indústria não precisa da sua dose de terapia, o muro caiu há 20 anos, estava na altura de ultrapassar o trauma. Mas enfim, a Angelina dá a sua dose de interesse ao filme.

Lembrei-me na ocasião que originalmente o papel de Salt era para ser desempenhado por um homem, julgo até que pelo Tom Cruise ou algum actor do género. A versão feminina dá sempre outro encanto à história e mesmo alguma coerência.

Na tentativa de revitalizar um bocado este espaço, deixa-se a sugestão. Não tanto pelos encantos da película, com um enredo ultrapassado à James Bond, mas para quem gosta de ir ao cinema depois da meia noite.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

No fim do Verão

Ando a tentar colocar em dia alguns dos muitos filmes que vão ficando em reserva e que, por uma ou outra razão, me despertaram a atenção. Ontem à noite dei uma hipóetese à Meryl Streep e deliciei-me com o sei It's Complicated.
Incrível como ela consegue dar personalidade até à personagem de uma comédia romântica. Nota-se nos pormenores. Pequenos detalhes que vemos perfeitamente que partem dela, da sua expressividade e competência enquanto actriz. Não admira que continue a ser nomeada, ano após ano, para os óscares.
O filme tem pouco que saber e o trailer conta a história quase toda. Relações mal resolvidas, que passaram o seu tempo, e o desejo de começar de novo sem arrependimentos do que se deixou para trás. E é o conseguir ver a evolução de uma personagem, que consegue tomar as atitudes mais contraditórias sem por isso deixarem de ser coerentes.
Fica a sugestão, para um domingo à noite, quando se quer terminar em beleza o fim de semana.