
É o tema das últimas semanas (este e o Haiti). Os vampiros parecem ter-se tornado moda por estas bandas, com recriações mais ou menos próximas da versão americana. Nada contra a exploração do mito, sou sempre a favor de dar asas à imaginação, e até fui fiel seguidora da Buffy noutros tempos. Histórias ligadas a seres extraordinários, fossem deuses gregos ou lobisomens, sempre me fascinaram um pouco, sobretudo devido às lendas que lhes vinham associadas e as insterpretações bastante criativas que em seu torno surgiram. Mostram como um pouco de imaginação e o vínculo à realidade conseguem originar obras e narrativas excelentes, quer tenham ou não sucesso. Quando era mais nova e ia descobrindo estes pedaços mais místicos da cultura ocidental, dava-me sempre enorme gozo reescrever o seu passado, explorando as potencialidades que as personagens desses contos deixavam para o futuro. O conde Drácula, por exemplo, existiu, e se não tinha uns valentes caninos ou um
look à Robert Pattison, é sabido que pelo menos possuia uns instintos bastante sanguinários.
Aguentei três temporadas de um "Sobrenatural" que considero ser dono de um argumento bastante fraco pelo simples facto de os mitos e as lendas que exploram me interessarem e, por fim, a quarta série lá me surpreendeu. De uma forma geral, reavivam o interesse sobre velhos contos e tradições populares, que podem nem ser nada de extrordinário mas dizem bastante sobre quem somos e de onde vimos, a massa de que fomos feitos e recordam-nos a nossa triste condição de seres mortais e limitados.
Neste momento, no entanto, está-se a atingir o grau do ridículo. Ainda engulo um "Destino Imortal" que tenta oferecer uma abordagem mais ou menos original ao mito dos vampiros. Agora levar com a mesma dose em todos os canais é um exagero completo e uma notória falta de sentido de competição. Duas séries na RTP, uma na TVI, uma na SIC, sem falar que o cinema também se tem concentrado em explorar o filão Twilight. Nada bate, no entanto, o projecto do canal 3 cujas imagens divulgadas quase fazem pensar que se trata duma paródia à "Lua Nova", com direito a todo o tipo de cópias de momentos e situações que quase se aproximam do plágio.
Enfim, é ridículo o que se passa na produção nacional. Que quisessem entrar na onda do Sobrenatural ainda se compreende. Mas há imenso por onde se explorar e, provavelmente, alcançariam melhores resultados que aqueles que esperam vir a obter. Os vampiros não são os únicos mitos que existem!!!
Lembro-me de um conto bastante interessante da Sophia de Mello Breyner que li quando era mais nova, chamado "A Floresta". Há duendes, há histórias de ladrões, há um segredo, ouro, fé, decepção e até uns requintes de romantismo. Uns ajustes aqui e ali e teriam um argumento bem mais fresco que andar constantemente a remoer no mesmo. Tinham o nome de uma escritora de gabarito, uma história com verdadeira marca nacional e - maravilha das maravilhas - até dava mesmo para meter a malta dos Morangos, uma vez que a história é direccionada aos jovens.
É mesmo necessário continuar a explorarde forma fatigante enredos estrangeiros? Enfim, foi só uma ideia...