domingo, 24 de janeiro de 2010

Nine ou Fellini 8 1/2



Filme "Muito Bom", nesta espectacular transposição do espectáculo da Brodway do filme de Fellini, por Rob Marshall.
Para mim: um enaltecimento dos valores tradicionais católicos, onde o realizador italiano "Maestro" Guido Contini, se encontra atravessado por uma crise de inspiração, causado, essencialmente, pelo estilo de vida boémio e dissoluto vivido pelo personagem, em contraste com os valores e princípios pelos quais foi criado.
Uma apologia ainda ao papel da mulher, enquanto comandante dos destinos do mundo. Elas sim são a força oculta, o grande vulto por detrás dos grandes Homens.
Uma viagem entre o passado, o presente e o imaginário.
De enaltecer as músicas "Cinema Italiano", muito bem interpretado por Kate Hudson, e "Be Italian".
Daniel Day-Lewis está, como sempre, ao melhor nível. Já Marion Cotillard dá-nos toda a sua graça e elegancia numa grande representação.
No fundo, todos nós temos de olhar para o mundo pelos olhos de uma criança...




Marta

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um ano depois


"Terminada a história, senti um calafrio que não provinha das rajadas turbulentas da Boca do Tigre. Ao lembrar-me do barqueiro isolado, perguntei a mim mesmo se não seria uma mulher que outrora fora muito linda e possuíra todas as vantagens da sorte e que agora, podre e andrajosa, remava contemplando o barco a vogar num mundo para sempre interdito para ela..."
in Nam Van - Contos de Macau
"A Desforra de um China-rico"
Henrique de Senna Fernandes

Descubra as diferenças III- Salaam

As novelas da Globo sempre tentaram dar um tom de universalidade ao temas que tratam, tanto devido à magnitude da distribuição desta forma de ficção, como método nacional de difundir cultura.
Glória Perez tornou-se, assim, na rainha da divulgação da multiculturalidade, desde a temática cigana, muçulmana até à indiana.

Bollywood é, literalmente, uma indústria em potência, superior a Hollywood. Estrelas como Amitab Bachan ou Arishwarya Rai são tratados como semi-deuses, o que se deve tanto à dimensão do país como ao nível sócio-económico da maioria de população.
Mas há qualquer coisa nestas produções que não me consegue conquistar. Talvez seja o nível da ostentação, talvez os números musicais tipo karaoke, talvez o facto de não estar habituada...

Há pouco tempo, passava na sic, a novela "Caminho das Índias", que retratava, de maneira, digo eu, algo estereotipada, a cultura indiana. Ao vermos os vídeos bollywodescos das músicas presentes na novela, não conseguimos deixar de achar que a autora limitou-se a transpor o que viu nas películas para o guião.

Talvez não. Talvez seja eu que já não aprecie as novelas como antigamente. De qualquer modo, descubram as diferenças...






Marta

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sebastianismo


Castelos de Ourém
(foto minha)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ferro em Brasa


Quando estava em Macau e passava pela Tyffany's & Co lembrava-me frequentemente da película que marcou a carreira de Audrey Hepburn. O mesmo sucedia num restaurante lá da terra, onde a mítica imagem da boneca de luxo me acompanhava as refeições. Não se trata aqui sequer de possuir uma predilecção especial pelo filme, nem é esse o caso. A película obedece ao efeito para o qual foi construída - o de entreter - e vale pela fotografia e pela imagem icónica que ficará para sempre associada a Hepburn e ao mundo da moda. O argumento tem as suas luzes, mas não deixa de ser um tanto pobre, especialmente para quem leu a narrativa de Truman Capote. E mesmo à nossa cara Audrey, faltou bastante da intensidade de Holly Golightly. Culpemos a censura americana da época sobre a sétma arte, culpemos o guião ou culpemos o realizador, o resultado está à vista e, bem, cada um tem a sua opinião.

Quando se está num outro país, lost in translation, existe a tendência, pelo menos à partida, de procurar referência culturais. No meu caso, havia a Audrey, a Tiffanys e certos remates de um argumento que sempre considerei pobre, mas que me vinham com mais frequência do que supunha à memória. Talvez por isso tenha procurado com alguma avidez o romance original, por forma a colocar um ponto final num dilema de consciência.
Falemos então antes de Truman Capote. O senhor teve uma vida complicada, como o cinema tem sabido dar a conhecer nos últimos anos, e em certa medida compreende-se o seu triste fim. Nos génios costuma existir uma certa tendência para o suicídio, mas não entremos em pormenores mórbidos...
Gostaria de falar do Capote contador de histórias, da sua visão peculiar e irónica sobre o mundo que o rodeava e da forma magistral como o expôs na sua obra. Alguém me disse certo dia que para se escrever bem é necessário abordar os temas que compõem o nosso quotidiano. Não sei se a frase era original ou se possuia direitos de autor, mas o facto é que passo a vida a encontrá-la nos mais variados sítios. Para o bem, ou para o mal, Capote soube fazê-lo e é essa dimensão familiar que coloca em cada uma das palavras que escreve que tornam as suas narrativas tão intensas, escorreitas e tentadoramente saborosas.
Os livros que tendo a colocar na prateleira da predilecção costumam ser o resultado de um entendimento mútuo, uma espécie de pacto póstumo entre a leitora e o autor. E apesar de décadas, estatuto, educação, género e vidas completamente diferentes, tenho conseguido conversar com o Truman em mais de uma ocasião. Porque as pessoas não são tanto o que mostram mas as acções que praticam, os testemunhos que deixam ou as obras que criam, consigo acreditar que talvez um pequeno-almoço pela madrugada frente à montra perfeita do que nunca poderemos ter, produza os seus efeitos. A Holly não será um grande exemplo, mas tinha lá as suas razões...
"Sou constantemente assaltado por memórias de sítios onde vivi, as casas e os bairros".
E não é que tem razão?
A escada de pedra que Quental também conheceu...
O corredor vazio e desarmado no fim de um tempo de luta...
Uma paixão e um desejo, em frames que ainda escrevem histórias...
Um circulo de sorrisos que se perderá na eternidade...
15 minutos de pausa na Las Vegas do Oriente para deixar o hino tocar...
Um sofá, um caneta e um livro, de personagens que nunca chegaremos a conhecer...
Talvez a Holly tivesse a sua razão.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Descubra as diferenças I- We all in this together

A adolescência, pode-se dizer, equipara-se aos anos da faculdade. Com efeito, têm leis próprias, normas independentes, regem-se por outros princípios e há uma escala hierárquica da qual não é possível escapar.
O mundo dos filmes e séries para adolescentes é, por isso mesmo, impossível de prever.
Eles têm os seus próprios ídolos, a sua própria música, as suas próprias histórias.
Mas não nos esqueçamos que os adolescentes de hoje são os adultos de amanhã e talvez seja por isso que filmes impensáveis hoje, sejam clássicos no futuro.

Se em 1978 "Grease" era um sucesso sem precedentes, que lançava John Travolta para o estrelato, podemos dizer que, nos nossos dias, High School Musical é o seu sucessor, atirando, também ele, um actor para o sucesso, neste caso Zac Efron.
O estilo é semelhante: uma série de músicas que ficam no ouvido, uns passinhos de dança a acompanhar, um rapaz popular que só quer conquistar a menina simples e esperta, que se mudou recentemente lá para aqueles lados. Ambos se conheceram nas férias e nunca pensaram tornar a ver-se. Ambos têm como principal dificuldade um bando de amigos que não os compreendem.
No entanto, se HSM apela para a integração do ser diferente, já Grease, vindo de uma outra era, defende mais um conceito de uniformização de costumes. Enquanto o primeiro se fica pelo stress do status, o segundo foca-se noutro tipo de problemas da juventude como a gravidez adolescente ou o insucesso escolar.

De qualquer forma, de maior ou menor compreensão, são sucessos absolutos, com direito a sequelas. No caso de HSM teve mesmo a honra de sair na tv directo para o cinema e, acho mesmo, de certo modo, injusto, as suas músicas terem sido esquecidas nos óscares 2009- chamem-se tola mas considero que daqui a 20 anos haverá mais pessoas a lembrarem-se do "Now or Never" do que do "Jai Ho".

A ver vamos... Ficam aqui umas cenas interessantes. Descubram as diferenças!







Marta