segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ennio Morricone no seu melhor (2)

Mais uma música que comprova a excelência deste grande compositor. Também para os fãs de Cinema Paraíso.

domingo, 27 de setembro de 2009

A história

Eu fiz-te ver,


em teimoso sacrifício,


que a adoração


é voto frágil,


inconsequente,


e de tacanha


devoção




Foram outras escolhas,


imagens elaboradas


em papiros escondidos,


esquecidos,


de linguagens desconhecidas


e profissões insconstantes...




Saiba, meu senhor


que não se pede


o inquestionável,


nem se pretende


o proibido;


Quer-se o desejo


do que é palpável


seguro e perdoável,


e que em decisões


transforma o perigo




Foram temas


debates e resoluções...


Passagens de um segredo


que se anseia ainda por desvendar.


Não são ideais


nem breves vergonhas


apenas ilusões


de mártires que por si


se dispõem a imolar




A cabeça ergue-se


indiferente


a paisagens que não são suas


nem de nome;


Recordações de heranças,


apenas essas,


talvez lembranças,


que em vão ainda procuram


de novo se desenhar




A dança recomeça


e a oração é fervorosa...


a beata em fé se defende


da tentação que lhe é exposta,


em guerreiros de outra esperança


em falsificações de si mesma


em soluções sem confiança


e em dissertações em dose incerta;


o tempo revolve


torna-se a esquecer


e o Templo de novo se erige


na inveitável consciência


de que outras histórias


há ainda por escrever


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Fantasma

Era dela ou do tempo? Inesperado, conseguia senti-lo na pele, a rugosidade da matéria, fria, segura, eterna, e a leveza dos seus instrumentos, os valores com que seduziam e a incapacidade de se erguerem, realizarem e conquistarem a realidade que à imaginação impelia.
Conhecia-lhe a cor, o odor e o jeito. A imagem percorria cenas de um incompreensível filme. Foram outros tempos... Espaços de graças, de loucuras e arrependimentos. Ficara, porém, aquele fantasma... A sombra de conversas proferidas em desacordo. Olhares de mágoa que permaneceram por esquecer. As ilusões e os sonhos que se descreviam no sigular. E as certezas de que o futuro lhe deixaria, sempre, o vácuo, a negro, do que deveria ter sido, do que desejara querer ter falado e de promessas que se cumpriram, de pegadas que não se apagaram.
Tornara-se inconcebivel esquecer! A imagem invadia o seu espaço, a sua mente, a sua pele, sempre que a guarda baixava, a memória aclarava e a voz, pesarosa, rouca, altiva, se afligia nos gritos que não era capaz de violar. Tudo, então, se misturava: o odor, o toque, o sabor, a vertigem... A pele rasgava quando roçava a pedra, a tijolheira sem cor, as ranhuras da velhice e emergia, uma e outra vez, na leveza da água. O nada envolvia-a, fazia-a querer descer, sumir, quando a contra gosto respirava. Aí, surgia novamente o fantasma.
Pedaços tardios de conversas por escrever, carícias que nunca foram dadas, cartas de solidão no plural, passeios eternos de triste melancolia. O fantasma era uma sombra, tinha traços, mas o rosto fugia. A expressão iróica, o sorriso galante... Mas o tempo esbatia o timbre de uma voz, uma ideia sem nexo e sem receios, as certezas de histórias por escrever.
Eram longas as conversas com aquele fantasma. Os encontros do nada, em qualquer parte do mundo. Os sonhos de assaltos em receios de o ver. E as ausências, por fim constatadas, de que se foi o momento de eternas possibilidades.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Descubra as diferenças

Sempre achei que para um filme se tornar um clássico tem de deixar uma ou duas cenas para a posteridade, que sejam consequentemente repetidas em outros filmes, os quais, por sua vez, podem dar origem a novos clássicos.
Eis aqui alguns exemplos...

A Diva





A Rainha






E... o Mestre




Marta

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Time of my Life



Não é o Dirty Dancing o filme favorito das mulheres de 30 anos? Vamos lembrar Patrick Swayze nos seus melhores tempos, altura em que dançava e fazia todos dançar, que vai deixar saudades e muitos corações partidos...




domingo, 13 de setembro de 2009

Em fase relatório



Eu pensava que um verdadeiro dandy nunca faria amor com Scarlett O´Hara nem com Constança Bonacieux, ou com a Pérola de Labuan. Eu brincava com o folhetim, para passear um pouco fora da vida. Descansava-me, porque propunha o inalcançável. Afinal não... Tinha razão Proust: a vida é representada melhor pela má música do que por uma Missa Solemnis. A arte goza connosco e descansa-nos, faz-nos brincar, mas depois ao mundo faz-nos vê-lo tal como ele é, ou pelo menos será. As mulheres são mais parecidas com a Milady do que com Lucia Mondella. Fu Manchu é mais verdadeiro do que Nathan o Sábio, e [a história] é mais parecida com a que é contada por Sue do que a que é projectada por Hegel.


in O Pêndulo de Foucault
Umberto Eco

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ecoparque Sensorial da Pia do Urso




Mesmo ao lado de casa, sem nunca por ali ter passado, o Ecoparque da Pia do Urso não é mais que uma velha aldeia, cujas casas foram restauradas e o percurso pedonal na serra reformulado, de modo a criar uma experiência na natureza dedicada aos invisuais. Considerado único no mundo, o passeio pela Serra D'Aire segue por vários pontos, onde jogos e vários cenários lúdicos não dispensam o braille, permitindo um passeio agradável na encosta, um piquenique ou uma tarde de descanso.
A prova que boas ideias não precisam de vir acompanhadas da destruição do meio ambiente.